AVALIAÇÃO DAS MEDIDAS DE DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E CONTROLE DA ESPOROTRICOSE NO MUNICÍPIO DE VITÓRIA DE SANTO ANTÃO-PE
DOI:
https://doi.org/10.64956/gm-unifacol.v2i1.77Palavras-chave:
Esporotricose, Saúde Pública, Vigilância Epidemiológica, Zoonoses.Resumo
O aumento da esporotricose em animais e sua transmissão para humanos tem sido observado de forma crescente, especialmente no Nordeste do Brasil, onde a doença apresenta caráter epidêmico e importantes desafios relacionados ao diagnóstico, controle e adesão ao tratamento. O presente estudo teve como objetivo analisar a situação epidemiológica da esporotricose felina no município de Vitória de Santo Antão, Pernambuco, bem como avaliar as estratégias adotadas pela Secretaria de Saúde para o enfrentamento da doença. Trata-se de um estudo descritivo, com abordagem quantitativa, baseado na análise de dados secundários referentes aos anos de 2022, 2023 e ao período de janeiro a abril de 2024. Os resultados demonstraram aumento no número de casos ao longo dos anos, com 347 registros em 2022, 507 em 2023 e 135 casos apenas nos primeiros meses de 2024. Observou-se elevada taxa de abandono do tratamento, embora tenha ocorrido melhora proporcional no número de altas clínicas em 2024 (25,2 %) em comparação a 2023 (8,9 %). Paralelamente, identificou-se crescimento nas taxas de reinfecção, passando de 1,2 % em 2022 para 9,6 % em 2024, indicando possíveis falhas na adesão terapêutica e na condução clínica dos casos. As ações de educação em saúde e capacitação de profissionais demonstraram resultados compatíveis com um possível impacto positivo, especialmente nos bairros com maior incidência da doença, contribuindo para maior conscientização da população e fortalecimento da vigilância. Conclui-se que, apesar dos avanços observados, ainda persistem desafios importantes, sendo necessária a ampliação das estratégias de controle, com ênfase no diagnóstico precoce, adesão ao tratamento e integração das ações no contexto da saúde única.
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